Os deputados da oposição decretaram uma greve sem termo a ter lugar no próximo dia 10 de Junho, como forma de forçar o Presidente da República a dissolver a Assempleia por falta de representatividade democrática.
Os deputados da oposição inicialmente pensaram em demitir-se do cargo e desta forma colocarem a maioria a falar para a SACOR até o Presidente da República se sentir envergonhado e mandá-los calar, mas o problema seria perderem a remuneração definitivamente e interromperem a contagem de tempo para acesso à aposentação e à subvenção.
Por isso e depois de terem esgotado todos os argumentos razoáveis para convencer o Presidente da República a exercer o seu cargo, decidiram começar uma greve de zelo, sentando-se de costas para a bancada do Governo e para a Presidente da Assembleia, juntamente com um voto de silêncio. Como houve quem interpretasse esta greve como sendo ilegal do ponto de vista ético, optaram por se levantarem e saírem da sala para os lavabos sempre que houvesse lugar a uma votação. Também não colheu.
Democraticamente e por unanimidade, então a Oposição, em boa hora, decretou a greve a iniciar-se no Dia de Portugal - dia 10 de Junho - informação para a Maioria, sem data de termo. O Dr. Paulo Portas, enquanto Presidente do CDS-PP, solidarizou-se imediatamente com este acto bélico, por ser heróico e ter como principal objectivo defender a Nacionalidade. A Oposição acredita que outros deputados do CDS sigam o seu líder, como homenagem a todos os idosos que vivem das suas pensões e que votaram neles por convicção de que eram o garante do respeito pela sua velhice.
Um idoso teve mesmo a coragem de arrumar a sua habitação para arranjar espaço para acolher algum dos deputados do CDS que, estando prestes a atingir o limite de idade e ao passar à situação de aposentado não disponha de pensão suficiente para viver sozinho. O T2 ficou modesto em espaço, mas à disposição caso os cortes continuem ou venha mesmo a ser extinta a pensão de reforma.
Vergonha é uma palavra que estará sempre associada à honra: sem esta não há aquela.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
NOTIFICAÇÃO A PAULO PORTAS
Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
Excelência
Pelo presente fica Vossa Excelência notificado para ser submetido a exame radiológico em data próxima, com urgência, no estabelecimento de saúde da sua preferência, com vista a ser avaliada a sua costela patriótica.
As condições de trabalho a que tem sido sujeito permintem presumir que possa haver já um dano ósseo, porventura apenas uma fissura, mas que o Conde Andeiro não deixará de pressionar até a transformar numa fractura, ainda que não exposta, quiçá apenas uma deformação suficiente para conseguir enfiá-lo no buraco de onde pretende que nunca mais saia.
Os portugueses estão dependentes da sua saúde para serem capazes de lançar de novo pela varanda abaixo mais um conde andeiro que, mais do que penhorar o nosso mar, sabe-se lá, rico em petróleo mas em peixe seguramente, pretende vender a nossa alma e, pior ainda, as tábuas do nosso caixão, os lenhos das nossas memórias, oferecendo como destino dos nossos restos mortais uma qualquer vala comum, como tantos e tantos que foram vítimas da última grande guerra da Europa, guerra que foi protagonizada também por um homem pequeno e mesquinho um andeiro.
De uma coisa há certeza: temos mar. Aquele mar a que Vossa Excelência lançou submarinos, talvez para vigiar e intervir caso alguém viesse a pretender roubar as nossas riquezas, submersas por lágrimas e suor de tantos patriotas, tão grandes e valorosos que envergonharam as maiores potências deste Velho Continente. Se a terra não lhes interessa, então será o quê? O vento explorado pelas energias alternativas que podem libertar-nos do petróleo? Não! Podia ser, mas não: é o Mar. Este mar salgado, que banha docemente os nossos pés, que nos dava boa cortiça e figos e laranjas, sem TGV.
Na antevisão do resultado do exame radiológico ser milagrosamente negativo, fica Vossa Excelência obrigado a defender a sua saúde, porque ao fazê-lo estará a assegurar, a proteger o bem estar de uma significativa parte do eleitorado lusitano que depositou no seu futuro a esperança de paz desta democracia que lhe deu ser.
Saiba Vossa Excelência que não está a ser tratado desta forma por outras razões que não sejam a fé e a convicção de que ainda há instituições em Portugal que merecem ser defendidas e dignificadas.
Que a herança dos nossos pais seja ao menos um esqueleto forte, pois será o que sobra da carnificina que o Governo de Portugal está a fazer e, como os ossos só desaparecem se forem cremados, prometa-nos dar a vida para que ninguém reduza a cinzas as nossas memórias.
Por último quero deixar um pensamento para meditação: a última barreira da fome é o nosso pai e a nossa mãe, por regra, a nossa mãe e não deve haver coisa mais desgraçada do que ser órfão, particularmente em tempos como este.
Os meus respeitos de cidadão e de servidor aposentado.
Excelência
Pelo presente fica Vossa Excelência notificado para ser submetido a exame radiológico em data próxima, com urgência, no estabelecimento de saúde da sua preferência, com vista a ser avaliada a sua costela patriótica.
As condições de trabalho a que tem sido sujeito permintem presumir que possa haver já um dano ósseo, porventura apenas uma fissura, mas que o Conde Andeiro não deixará de pressionar até a transformar numa fractura, ainda que não exposta, quiçá apenas uma deformação suficiente para conseguir enfiá-lo no buraco de onde pretende que nunca mais saia.
Os portugueses estão dependentes da sua saúde para serem capazes de lançar de novo pela varanda abaixo mais um conde andeiro que, mais do que penhorar o nosso mar, sabe-se lá, rico em petróleo mas em peixe seguramente, pretende vender a nossa alma e, pior ainda, as tábuas do nosso caixão, os lenhos das nossas memórias, oferecendo como destino dos nossos restos mortais uma qualquer vala comum, como tantos e tantos que foram vítimas da última grande guerra da Europa, guerra que foi protagonizada também por um homem pequeno e mesquinho um andeiro.
De uma coisa há certeza: temos mar. Aquele mar a que Vossa Excelência lançou submarinos, talvez para vigiar e intervir caso alguém viesse a pretender roubar as nossas riquezas, submersas por lágrimas e suor de tantos patriotas, tão grandes e valorosos que envergonharam as maiores potências deste Velho Continente. Se a terra não lhes interessa, então será o quê? O vento explorado pelas energias alternativas que podem libertar-nos do petróleo? Não! Podia ser, mas não: é o Mar. Este mar salgado, que banha docemente os nossos pés, que nos dava boa cortiça e figos e laranjas, sem TGV.
Na antevisão do resultado do exame radiológico ser milagrosamente negativo, fica Vossa Excelência obrigado a defender a sua saúde, porque ao fazê-lo estará a assegurar, a proteger o bem estar de uma significativa parte do eleitorado lusitano que depositou no seu futuro a esperança de paz desta democracia que lhe deu ser.
Saiba Vossa Excelência que não está a ser tratado desta forma por outras razões que não sejam a fé e a convicção de que ainda há instituições em Portugal que merecem ser defendidas e dignificadas.
Que a herança dos nossos pais seja ao menos um esqueleto forte, pois será o que sobra da carnificina que o Governo de Portugal está a fazer e, como os ossos só desaparecem se forem cremados, prometa-nos dar a vida para que ninguém reduza a cinzas as nossas memórias.
Por último quero deixar um pensamento para meditação: a última barreira da fome é o nosso pai e a nossa mãe, por regra, a nossa mãe e não deve haver coisa mais desgraçada do que ser órfão, particularmente em tempos como este.
Os meus respeitos de cidadão e de servidor aposentado.
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