quinta-feira, 19 de julho de 2012

DIRIGENTES DA FUNÇÃO PÚBLICA

"Quando o regime político de José Sócrates estava no auge, a afundar definitivamente o socialismo na gaveta das migalhas, lançou-se para o ar que os funcionários públicos eram sugadores dos impostos, super bem pagos inúteis e deviam ser atacados. Quando se faz uma guerra séria, é costume atacar todas as frentes das forças do inimigo ou, estrategicamente, atingir-se a parte mais fraca para alcançar o coração da besta. Só que nesta guerra a besta não era para abater nem mesmo enfraquecer: a guerra pretendeu apenas encobrir uma realidade que perdura e perdurará pois os cargos de real valor e que oneram pesadamente o orçamento do estado no que toca a vencimentos, continuam no seu lugar, intactos ou acrescidos, com rendimentos soberbos para, em muitos casos, pagar zero de trabalho útil aos cidadãos contribuintes. Só que estes ninguém os vê, já estão muito longe dos olhares daqueles que pagam os seus salários e só alguns militantes partidários sabem quem são e a sua real utilidade.
Sejamos sérios. Senhores políticos, lembrem-se do "Yes Minister". Quando quiserem ser leais para com os vossos eleitores, entrem fundo nas tabelas remuneratórias de todos os cargos dirigentes da função pública e contem quantos poderiam ser realmente suprimidos porque o que fazem é igual a zero e alguns nem sequer alguma vez tiveram uma função.
Responda quem souber porquê os dirigentes que exerceram esse cargo durante x anos adquirem o direito de um lugar de assessor, por regra um título dourado pago a elevadíssimo preço para nada mais fazer durante largos anos ou mesmo para o resto da vida. Quantos haverá nos quadros da função pública? Muitos e desses muitos só alguns são de facto assessores de alguém."
Este texto já foi escrito há algum tempo, bastante até, creio eu, mas está tão actual que não resisto a postá-lo tal como está. Como é meu acho que tenho o direito de o acrescentar dizendo que sou um criador de lugares-comuns, um pensador comum e por isso com milhões de seguidores e tal como postei que ninguém deveria votar e assim demitir os políticos agora começo a ouvir ecos por todo os lados, talvez esta de reduzir custos ao orçamento à custa dos lugares de assessor da treta venha a ressoar nas abóbadas pensadoras dos professores que vão ser despedidos e dos enfermeiros que vão ganhar nicles e sabe-se lá ainda vamos reaver o guito do BPN: é que esses assessores de trazer pelos ministérios sabem umas coisas...
Ponto um: ninguém vai a votos nas próximas.
Ponto dois: quem souber segredos que os exorcise.
Ponto três: vamos rapar o tacho antes que alguém nos roube o torrado.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

IDOSOS SÓS E SEM-ABRIGO

Mais uma:
- Há dias decidi deixar uma mensagem no Portal do Governo sobre a matéria da actualidade - idosos sós,
sugerindo que os Centros de Emprego oferecessem um pouco mais aos cidadãos que servem, seleccionando beneficiários do subsídio de desemprego para prestarem serviço comunitário visitando idosos sós. É verdade que há professores, enfermeiros e outros profissionais de saúde, entre outras profissões, cidadãos com qualificações intelectuais e sociológicas adequadas a esta missão, tornando-se mais económico e honesto que criar novos serviços públicos para este fim, que podem comer mais do que dar. A ver vamos se caíu em saco roto;
- Agora dou outra acha para o fogo do amor pelo social: os sem-abrigo. Em certas alturas, como na época de frio intenso, mas porquê não o ano inteiro, nota-se que faltam braços. Aí estão os Centros de Emprego de novo a debitar para o social de forma a pagarmos todos com trabalho o que o Estado dispende em ordenados. Vejamos de novo o fundo do saco.

Quem quiser ver não precisa de óculos, porque até um cego sabe o que significa a palavra ajuda: são escolas a carecer de vigilância periférica, cruzamentos extremamente perigosos para a travessia de idosos e crianças, são pais que precisam de ajuda para guardar os filhos mais umas horitas no fim do horário lectivo, coisas que poderiam não custar dinheiro - seiscentos mil desempregados, e uma garantia: quem recebe do Fundo, se tiver de fazer umas horas durante o dia não tem muito espaço para enganar o "sistema" e beneficiar quem dá trabalho sem pagar os encargos sociais devidos. Três em um, mais o serviço comunitário, o tal amor social.

Sei que sou um pobre idiota, porque de certeza tanta gente já viu para onde o cego aponta, e a pensar naqueles políticos cheios de saberes, já eles viram de longe tantas ideias comuns. Pena é que as vejam de tão longe que acabam por esquecê-las antes de lhes chegarem perto.

Acaba por ser um pouco como este blogue: eu sei que estou a falar para o universo que de tão grande acaba por nem dar conta da minha existência. Mas faz-nos bem falar para a... como Elia Kazan em "O Prémio".