"Quando o regime político de José Sócrates estava no auge, a afundar definitivamente o socialismo na gaveta das migalhas, lançou-se para o ar que os funcionários públicos eram sugadores dos impostos, super bem pagos inúteis e deviam ser atacados. Quando se faz uma guerra séria, é costume atacar todas as frentes das forças do inimigo ou, estrategicamente, atingir-se a parte mais fraca para alcançar o coração da besta. Só que nesta guerra a besta não era para abater nem mesmo enfraquecer: a guerra pretendeu apenas encobrir uma realidade que perdura e perdurará pois os cargos de real valor e que oneram pesadamente o orçamento do estado no que toca a vencimentos, continuam no seu lugar, intactos ou acrescidos, com rendimentos soberbos para, em muitos casos, pagar zero de trabalho útil aos cidadãos contribuintes. Só que estes ninguém os vê, já estão muito longe dos olhares daqueles que pagam os seus salários e só alguns militantes partidários sabem quem são e a sua real utilidade.
Sejamos sérios. Senhores políticos, lembrem-se do "Yes Minister". Quando quiserem ser leais para com os vossos eleitores, entrem fundo nas tabelas remuneratórias de todos os cargos dirigentes da função pública e contem quantos poderiam ser realmente suprimidos porque o que fazem é igual a zero e alguns nem sequer alguma vez tiveram uma função.
Responda quem souber porquê os dirigentes que exerceram esse cargo durante x anos adquirem o direito de um lugar de assessor, por regra um título dourado pago a elevadíssimo preço para nada mais fazer durante largos anos ou mesmo para o resto da vida. Quantos haverá nos quadros da função pública? Muitos e desses muitos só alguns são de facto assessores de alguém."
Este texto já foi escrito há algum tempo, bastante até, creio eu, mas está tão actual que não resisto a postá-lo tal como está. Como é meu acho que tenho o direito de o acrescentar dizendo que sou um criador de lugares-comuns, um pensador comum e por isso com milhões de seguidores e tal como postei que ninguém deveria votar e assim demitir os políticos agora começo a ouvir ecos por todo os lados, talvez esta de reduzir custos ao orçamento à custa dos lugares de assessor da treta venha a ressoar nas abóbadas pensadoras dos professores que vão ser despedidos e dos enfermeiros que vão ganhar nicles e sabe-se lá ainda vamos reaver o guito do BPN: é que esses assessores de trazer pelos ministérios sabem umas coisas...
Ponto um: ninguém vai a votos nas próximas.
Ponto dois: quem souber segredos que os exorcise.
Ponto três: vamos rapar o tacho antes que alguém nos roube o torrado.
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