domingo, 5 de fevereiro de 2012

IDOSOS SÓS E SEM-ABRIGO

Mais uma:
- Há dias decidi deixar uma mensagem no Portal do Governo sobre a matéria da actualidade - idosos sós,
sugerindo que os Centros de Emprego oferecessem um pouco mais aos cidadãos que servem, seleccionando beneficiários do subsídio de desemprego para prestarem serviço comunitário visitando idosos sós. É verdade que há professores, enfermeiros e outros profissionais de saúde, entre outras profissões, cidadãos com qualificações intelectuais e sociológicas adequadas a esta missão, tornando-se mais económico e honesto que criar novos serviços públicos para este fim, que podem comer mais do que dar. A ver vamos se caíu em saco roto;
- Agora dou outra acha para o fogo do amor pelo social: os sem-abrigo. Em certas alturas, como na época de frio intenso, mas porquê não o ano inteiro, nota-se que faltam braços. Aí estão os Centros de Emprego de novo a debitar para o social de forma a pagarmos todos com trabalho o que o Estado dispende em ordenados. Vejamos de novo o fundo do saco.

Quem quiser ver não precisa de óculos, porque até um cego sabe o que significa a palavra ajuda: são escolas a carecer de vigilância periférica, cruzamentos extremamente perigosos para a travessia de idosos e crianças, são pais que precisam de ajuda para guardar os filhos mais umas horitas no fim do horário lectivo, coisas que poderiam não custar dinheiro - seiscentos mil desempregados, e uma garantia: quem recebe do Fundo, se tiver de fazer umas horas durante o dia não tem muito espaço para enganar o "sistema" e beneficiar quem dá trabalho sem pagar os encargos sociais devidos. Três em um, mais o serviço comunitário, o tal amor social.

Sei que sou um pobre idiota, porque de certeza tanta gente já viu para onde o cego aponta, e a pensar naqueles políticos cheios de saberes, já eles viram de longe tantas ideias comuns. Pena é que as vejam de tão longe que acabam por esquecê-las antes de lhes chegarem perto.

Acaba por ser um pouco como este blogue: eu sei que estou a falar para o universo que de tão grande acaba por nem dar conta da minha existência. Mas faz-nos bem falar para a... como Elia Kazan em "O Prémio".

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